sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ACUMULADORES.. 

 

Todo mundo já ouviu falar nas histórias de pessoas que vão acumulando objetos, animais e até lixo dentro de casa, mas será que você saberia identificar algum amigo ou parente com a doença? Pois é! Os acumuladores compulsivos acabam se afastando e se isolando por causa do problema, o que torna mais difícil ainda conseguir ajuda. A maioria dos pacientes tem medo de revelar o drama pessoal, mas a verdade é que muitos nem têm consciência da real dimensão do problema.

O que é a acumulação compulsiva?

  “Ela se caracteriza por um armazenamento excessivo de coisas, e o acumulador compulsivo se sente incapaz de se desfazer dessas coisas, o que resulta em uma ocupação muito grande dos espaços da sua casa. Eles deixam de ser espaços de convivência para se tornar espaços de depósito de coisas e isso aumenta o risco de incêndios, de contaminação, de infestação por insetos, de doenças e de quedas até do próprio acumulador”.

Como identificar um acumulador compulsivo?
 
“O acumulador compulsivo tende a se isolar. Tanto os familiares não conseguem conviver com aquele ambiente como o próprio acumulador tem vergonha da sua condição. Pode acontecer por causa de um acúmulo de dívidas, de um acidente dentro de casa, um incêndio, uma queda, pode ser em função de um sofrimento, de uma depressão, de uma ansiedade muito grande”.

Qual a diferença entre acumulador e colecionador?
 
  “Colecionar é, a princípio, um hobby, não é patológico. O indivíduo adquire objetos que tenham entre si alguns aspectos em comum. Se esses objetos já passam a ser excessivos ocupando um espaço muito grande e ele sofre ao se desfazer dessas coisas, ele pode vir a se tornar um acumulador compulsivo. Um comprador compulsivo pode também se tornar um acumulador, mas, a princípio, o foco é a aquisição do objeto. São sintomas muito próximos”.

Qual é o tratamento?
 
  “O acumulador compulsivo deve procurar a ajuda de um psiquiatra. Se ele não tiver um plano de saúde e não tiver recursos para pagar a consulta, deve procurar um ambulatório na sua cidade ou centros de atendimento psiquiátricos gratuitos que oferecem esse atendimento”.
Uma sala cheia de livros, por exemplo, não exemplifica a doença. O hábito vira patológico quando juntar vira uma obsessão e interfere na rotina e nas relações sociais e familiares.
Um colecionador, ao contrário do acumulador, tem orgulho de mostrar sua coleção. Quem tem o transtorno costuma esconder o problema. 

Como tratar 

Para o acumulador compulsivo, não existe nenhum erro ou problema com o seu comportamento. No entanto, esse sintoma faz parte da doença. A acumulação compulsiva é um transtorno mental que foi reconhecido recentemente e as pesquisas sobre os melhores tratamentos está apenas no início. No entanto, alguns métodos têm tido êxito, como a terapia cognitivo-comportamental, associada a uma medicação adequada.

A terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva, descobrindo as raízes da ansiedade. Assim, é possível mudar aos poucos a mentalidade da pessoa afetada. Esta terapia pode ser muito demorada (durar meses ou até anos) e exige grande dedicação ao processo de recuperação, mas permite que um acumulador compulsivo readquira hábitos de vida normais.

A medicação

A terapia é muitas vezes combinada com a medicação, o que ajuda a maximizar os resultados. Atualmente, os produtos farmacêuticos utilizados no tratamento da acumulação compulsiva são semelhantes aos que são administrados em pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, isto é, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, além de outros antidepressivos.

Alguns sinais

:: Recolher bens e objetos que a maioria das pessoas joga fora.
:: Viver em condições insalubres e sem organização e não permitir que alguém arrume ou limpe sem sua supervisão.
:: Ser incapaz de usar as divisões da casa para a real finalidade (cozinha para cozinhar, banheiro para tomar banho, quarto para dormir).
:: Ter muitos animais de estimação e não estar a cuidar deles da melhor maneira — transtorno chamado de animal hoarding.
:: Acumular sucatas ou lixo (como embalagens) e amontoá-los em pilhas.
:: Negar que seja um exagero o vício de acumular, ter vergonha do hábito, mas mesmo assim não conseguir controlar o impulso.

Todo ser humano esta sujeito a doenças psicossomáticas que podem se apresentar rapidamente ou podem levar anos para se manifestar.
A acumulação é uma doença psicológica que torna a pessoa dependente das coisas, a tal ponto de não se livrar de nada.
Este tipo de doença torna a vida dos acometidos em um verdadeiro inferno e afeta diretamente as relações com as pessoas ao seu redor.
A acumulação faz com que seus agentes passem a comprar tudo que não precisam e transformem suas casas em verdadeiros depósitos, que impedem o bom uso do imóvel, bem como a manutenção higiênica do local.
Por trás desta doença podemos detectar a ansiedade, o medo, o arrependimento, a frustração entre vários motivos. A doença funciona como uma mórbida auto compensação de algo que aflige o doente.
Vivemos em uma sociedade com um grande apelo ao consumismo, mas além do exagero na hora das compras existem pessoas com sérios problemas psicológicos e comportamentais ou sociais que se escondem na acumulação, construindo a falsa idéia de que acumulando coisas haverá a auto compensação ou uma sensação falsa de segurança. O que piora a situação tanto do doente quanto dos que o cercam.
Há uma linha tênue que diferencia um colecionador de um acumulador compulsivo. E em alguns casos, colecionadores são acumuladores compulsivos.
A acumulação piora com o tempo. Para controlar ou curar a doença é preciso um longo caminho que leve a raíz do problema, onde o doente precisa enfrentar seus medos e frustrações. E isto esta ligado intimamente com a auto estima do acumulador.
Esta doença é de extrema crueldade, pois afasta amigos, afasta familiares e causa ao doente uma sensação de interminável vergonha pelo caos que se instala em sua casa, em sua vida. Dificultando a interação social.
É preciso quebrar o ciclo vicioso de acumular coisas desnecessárias.
Para vencer esta doença é preciso aceitar e reconhecer o problema e desejar a mudança e agir para mudar.
Mas nada disto é possível sem o apoio familiar. A ação positiva da familia junto ao acumulador é a chave para estimulá-lo e encorajá-lo a mudar, e muitas vezes é uma ferramente poderosa que eleva a auto estima do acometido pela acumulação, levando a prosseguir na busca da cura de seu problema.


Pessoas que acumulam itens aparentemente inúteis podem colocar a culpa em uma área de seus cérebros.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Iowa localizou uma região no lóbulo frontal que parece controlar esse comportamento.
Segundo os cientistas, o hábito de guardar coisas que não usamos está ligado à Desordem Obsessiva-Compulsiva (DOC), mas ainda não se sabe o que o desencadeia ou se é uma condição única.
O estudo, publicado no jornal especializado Brain, salienta que há cada vez mais evidências de que tal comportamento tem seu próprio mecanismo.

Correspondência

DOC é uma desordem de ansiedade em que a pessoa é coagida por medos irracionais ou determinados pensamentos a repetir ações.
Pode manifestar-se em hábitos como lavar as mãos excessivamente, estar sempre limpando a casa ou checar alguma coisa constantemente.
Mas algumas pessoas têm uma compulsão por guardar coisas – um hábito que vai além do comportamento de um colecionador.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia já mostraram que as pessoas com DOC que também acumulam coisas inúteis têm uma atividade cerebral diferente dos demais pacientes com DOC.
Para entender melhor a causa desse comportamento, Steven Anderson e sua equipe analisaram 13 pessoas que desenvolveram tal compulsão após terem sofrido um dano cerebral.
Eles definiram o hábito como anormal caso ele fosse extensivo, as coisas guardadas não fossem úteis ou bonitas e se a pessoa não estava disposta a se desfazer de sua coleção.
Alguns dos pacientes, por exemplo, encheram suas casas com correspondência inútil ou ferramentas quebradas.
Os pesquisadores escanearam os cérebros dos pacientes e compararam com outros 73 pacientes que sofreram danos mas que não apresentavam hábitos anormais.

Terapia


"Danos na parte do lóbulo frontal do córtex, particularmente no lado direito, foram encontrados nos indivíduos com comportamento anormal", contou o pesquisador.
"Pacientes com DOC e outras desordens, como esquizofrenia, Síndrome Tourette e certas demências, podem ter comportamento patológicos similares, mas não sabemos onde o problema está ocorrendo dentro do cérebro."
Naomi Fineberg, especialista em DOC do Hospital Queen Elizabeth, na Grã-Bretanha, disse: "Esses estudos, que ainda são iniciais, estão começando a confirmar que acumular coisas inúteis pode ser diferente da DOC".
"Quanto mais entendermos sobre a neurobiologia desse comportamento, mais poderemos pensar em como tratá-lo", comentou a cientista.
Mas Paul Salkovskis, do Instituto de Psiquiatria, do King’s College, em Londres, discorda: "Identificar qual a área do cérebro é afetada não ajuda você no tratamento de forma alguma".
"Não há evidências de que qualquer diferença biológica entre esses pacientes. A resposta é terapia comportamental cognitiva."
BBC
O acumular de bens, animais ou de objetos, que por vezes são até provenientes da rua ou do lixo, para uma eventual utilização futura pode parecer uma situação estranha, mas é o sintoma de uma perturbação que afeta inúmeras pessoas e muitos idosos que vivem sozinhos,  isolados e em situações precárias. Saiba quais são os sinais de acumulação compulsiva e como poderá obter ajuda para os tratar 

A terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva, nomeadamente as raízes da ansiedade. Ao fazê-lo, é possível mudar aos poucos a mentalidade da pessoa afetada. Esta terapia pode ser muito demorada (meses ou anos) e exige grande dedicação ao processo de recuperação, mas permite que um acumulador compulsivo readquira hábitos de vida normais.

A medicação

A terapia é muitas vezes combinada com a medicação, o que ajuda a maximizar os resultados. Atualmente, os produtos farmacêuticos utilizados no tratamento da acumulação compulsiva são aqueles que são usados para ajudar os pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, isto é, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e outros antidepressivos.

fonte: Cuidamos.com

Adriani Gonçalves
 

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